Fasten your seatbelts

Apenas a título de esclarecimento, este blog definitivamente não segue um padrão. Provavelmente você encontrará postagens estupidamente otimistas e outras mais sombrias. Às vezes o que me motiva a jorrar palavras pode ser tristeza, reflexão ou o contentamento. Não sei ao certo me reter a um modo de encarar o mundo para abranger uma gama de sentimentos e pensamentos nascidos em contradição. Depende do dia, da faceta que prefiro expor. Não reparem na bagunça e nem na dualidade. Desfrutem da surpresa.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Da beleza que importa.


Às vezes eu me flagrava querendo mudar tudo na minha aparência. 
Não se tratava de insegurança, era um desconforto que sempre esteve espreitando uma tarde nublada ou uma noite de entretenimento para me assombrar, ainda que eu estivesse ciente de seu exagero. Creio que a maioria das pessoas não admite a mesma insatisfação, porém prefiro pecar pelo excesso de franqueza do que pela omissão.
Sabia que não era horrível a ponto de cegar quem me encarasse, mas não aceitava nada em meu corpo ou meu rosto que destoasse dos padrões de revistas de moda e comerciais. Na maior parte do tempo acho que é uma forma de vaidade proveniente do excesso de cobrança que me imponho desde criança.
Deixem-me acrescentar o agravante: quando as pessoas- por completa idiotice- apontam para os defeitos dos quais você se apavora, costuma ser uma das formas mais fáceis de fazer com que você se preocupe mais ainda com o assunto. 
Quando eu era bem mais nova, um garoto de chamou de gorda na escola (acho que é a primeira vez que exponho isto) e na época eu não tinha o meu ceticismo atual em dose suficiente para ignorá-lo. Então eu fiquei neurótica achando que a culpa era minha por não me enquadrar e comecei a me exercitar feito uma desvairada para me sentir aceita. Moral da história: fiquei cadavérica, anoréxica e chorando todas as noites. 
Claro que ao crescer percebi a burrice do que estava fazendo, mas confesso que até hoje tenho medo de cair na mesma armadilha novamente. Não no que se refere ao peso, mas ao resto da minha figura também. 
É incrível como as meninas- não me excluo do exemplo- podem se encher de maquiagem e passar horas arrumando o cabelo e agir como se estivessem perfeitamente bem quando no interior se sentem insignificantes ou que não são o suficiente. 
Inteligentes o suficiente. Bonitas o suficiente. Legais o suficiente. 
Porém, sempre que este medo me acorda, eu me lembro de como toda a cobrança só fez com que me punisse e causou uma sensação de desprezo. A verdade é que não existem pessoas perfeitas. 
Estas mulheres e homens sem defeito algum nas propagandas passam por camadas de photoshop, milhões de cabeleireiros/estilistas/iluminação adequada/corretivos e vendem uma imagem divina impossível de atingir. Os produtos que supostamente garantirão perfeição nunca surtirão os efeitos desejados porque nós somos humanos. Cheios de diferenças e singularidades que nos tornam especiais. 
E eu entendo: os estilistas têm que vender suas roupas, a MAC quer quer você compre as bases e sombras e sabe se lá o que, os fabricantes dos diet shakes ou o Doctor Ray realmente preferem que você adquira seus produtos... Mas tudo tem seu limite. 
Será que uma menininha de nove anos vai ter a estrutura psicológica para compreender que a falta daquela maquiagem ou da barriga tonificada não a torna menos adorável? Céus, será que até mesmo mulheres crescidas perceberão que nem tudo na vida se restringe ao sapato da estação ou ao número na balança?
Acreditem: horas na academia ou no salão não farão com que sejam mais felizes. 
É ótimo se sentir confortável na própria pele, mas não tentem mudar às custas de suas neuroses ou das alheias. Não sei se foi pelo que eu passei no hospital ou por finalmente me dar conta do que importa, porém aqui fica minha opinião: fiquem menos obcecados pelo que vestem ou pelo reflexo e mais atentos a quem são. Aos seus sonhos, as suas convicções, ao caráter. 
Do que adianta namorar um sósia do Jude Law se o cara for um degenerado ou totalmente promíscuo? Qual a serventia de ter uma esposa que é a réplica da Megan Fox se ela for mesquinha e cruel com todos ao redor? Sobre qual frágil ilusão estamos construindo nossas expectativas? Quem hoje é bonito amanhã envelhece, ganha rugas estampadas no rosto e uma barriga de cerveja. Os anos não perdoam, queridos. 
Não sou perfeita, tampouco linda de morrer no exterior, contudo sei em meu coração que prefiro ter dedos do pé estranhos e bochechas vermelhas como se tivesse acabado de correr uma maratona do que me tornar escrava da aceitação dos outros. Uma conhecida minha considerada bonita por todos ao redor, porém criteriosa consigo, foi aprovada após anos de estudo em um concurso para ser juíza e cismou em se submeter a uma plástica. Morreu no processo e deixou de experienciar tudo que havia plantado em seu passado. Perguntem-se: valeu a pena? (É retórica a indagação, obviamente). 
É só a partir do momento em que nos aceitamos que estamos habilitados a enxergar a beleza que importa ao invés da que salta aos olhos. Dane-se o que os outros pensam e a Vogue de setembro. 
Vocês são muito menos entediantes do que a perfeição e muito melhores do que imaginam. 
Hoje eu tenho o que me basta: sou saudável, talvez nada sexy mas contente com o meu jeito de levar a vida.   O resto é dispensável. 


Para os que desejam ser persuadidos pelo youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=fULtU2NfPQA&feature=fvwrel (e este também, é uma lição para todos)


"You can buy your hair if it won't grow
You can fix your nose if he says so
You can buy all the make up
That MA.C. can make

But if you can't look inside you
Find out who am I too
Be in the position to make me feel
So damn unpretty"

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Dare to believe

Oi pessoal,
vim divulgar rapidinho um projeto (ainda no início, mas com grandes objetivos):

https://www.facebook.com/pages/Dare-you-to-believe/318887281487105


"Dare you to believe é um projeto sem fins lucrativos destinado a auxiliar jovens que passaram ou passam por depressão, bullying, perdas, problemas familiares, auto mutilação, uso de drogas, que enfrentam qualquer tipo de preconceito e pensamentos suicidas a encontrarem esperança e consolo. Não é nosso objetivo tecer julgamentos, nossa mensagem é de amor e superação. Estamos aqui para mostrar que ninguém está sozinho e que vale a pena viver. Acreditamos em dias melhores e sobretudo em você. Divulgue a causa para amigos e nos ajude a fazer a diferença :)"



Ajudem a divulgar e espalhar o amor e a compreensão!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Im- Perfeita


Existe uma linha muito tênue entre o buscar e o se perder. O tipo de linha cujo traçado na areia é rapidamente apagado pela ondas, como se nem ao menos estivesse lá para começo de conversa. 
Durante um bom tempo não faz a mínima diferença cogitar o caminho ou os sinais ao longo do trajeto. Não é de relevância se o método foi acertado, pois estamos focados no objeto com tamanha intensidade que talvez abjudiquemos, no subconsciente, até de quem somos- ou éramos. Apenas quando sentimos a fadiga da empreitada é que percebemos o quão distantes do descomplicado início estamos. 
Eu, por exemplo, busquei a perfeição em cada esquina, em cada rosto fragilizado, em cada verso desgastado e destituído da antiga paixão. Busquei-a nos becos dos romances cujas páginas já acumulavam mofo, no ideal poético que o mundo teimava em renegar. Queria o sofrimento na forma bela e um pouco trágica de um capítulo de Hemingway. Ansiei pelo amor sangrento, mas intenso, da Plath e do Hughes. Vaguei, perambulei, me machuquei propositalmente. Puni-me por não tocar o inalcançável. 
E na imensidão do buscar, me perdi. A frustração deu lugar ao vazio- a única constante. Minha identidade se esvaiu nos diálogos não proferidos, na insanidade volúvel de transformar todos ao meu redor em personagens, manipuláveis em um enredo que escapara ao meu controle. Falhei até como narradora. 
É perigoso, entende? Distanciar-se da realidade, ainda que lentamente. 
O meu medo era nunca mais poder voltar. Por um lapso temporal, acreditei que havia pavimentado a estrada da minha condenação. Meu próprio organismo se manifestou em resposta, provavelmente cansado da vagarosa auto destruição.
Mas o irônico é que às vezes se perder por completo é a melhor coisa do mundo. 
Para mim o foi. Revesti minha estrutura fragilizada por sensatez. Oscilante, sim, porém existente. 
Há uma beleza cândida nas falhas, no morrer aos pedaços para ganhar vida. A humanidade do errar antes me causava repulsa; hoje me traz conforto. E se os outros, a me observar pelas embaçadas lentes das impressões, cobiçam a noção equivocada da minha impecabilidade... Que sejam maduros o suficiente para reduzirem suas expectativas. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Desafio da Aileen



A Aileen, do http://the-other-girl-besides-myself.blogspot.com/  (cujo blog recomendo, por sinal) lançou-me este desafio. Aqui vai ele:

1) Nome da minha música favorita:


Difícil. São tantas, depende do momento.

Ultimamente as minhas favoritas tem sido "Disintegration", do The Cure e "I am the highway", do Audioslave 

(pois atualmente me identifico muito com as letras)





2) Nome da minha sobremesa favorita:


Torta alemã com cobertura de morangos.


3) O que me tira do sério?


Falsidade. Prefiro que me odeiem abertamente a que finjam admiração e no fundo me desprezem ou desejem mal.


4) Quando estou chateada.... (entenda-se por chateada estar deprimida) ou venho ao blog, ou meto-me a 


Ouvir músicas depressivas, afogar minhas mágoas em algum clássico da literatura ou me distrair com filmes 

antigos.

5) Qual o meu animal de estimação favorito?


Polly, a cachorrinha aqui de casa.


6) Preto ou branco? 


Preto. 


7) Maior medo? 


Morrer sem fazer diferença na vida de outra pessoa.


8) Atitude quotidiana: 


Abrir a janela da sala à noite e ficar olhando o mar, as luzes e sentir o vento no rosto.


9) O que é perfeito? 


 Nada. A perfeição é uma ilusão que já me prejudicou demais.


10) Culpa?


Não tenho arrependimentos. Tudo que fiz de errado me tornou mais sábia, eu acho.


Sete fatos aleatórios sobre mim:

  1. Não sei assobiar.
  2. Gosto de dias cinzas e nublados. Talvez porque a maioria das pessoas não saiba apreciar sua beleza.
  3. Gosto igualmente de pessoas misteriosas. Gente artística e calada, que não costuma revelar o que pensa...
  4. Meu cheiro preferido é o de livros (novinhos ou antigos) e em segundo lugar o de acetona.
  5. Acho que se um dia me casasse, seria com um escritor.
  6. Passo a impressão de fria ou indiferente, mas na maior parte do tempo sou terrivelmente distraída ou introspectiva. Tenho a necessidade de um tempo de solidão.
  7. Meu sonho é andar na rua e começar um musical. Com direito a grandes alegorias, um desfile, gente cantando e pulando...

Regras:
1) mandar o link para a pessoa que nos ofereceu;
2) preencher o formulário com as perguntas;
3) oferecer a 10 blogs e informá-los por comentário ou e-mail
4) partilhar 7 pensamentos aleatórios sobre nós

Gente, sou péssima em repassar. Acho mais fácil fazer o seguinte: quem tiver blog e gostar do desafio que viu aqui, sinta-se à vontade para fazê-lo e me mande o link da postagem pois sou curiosa :)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Éter


Um dia eu sumirei daqui.
Vou evaporar com os resquícios de dilemas, sonhos, dúvidas, angústias. A minha volatilidade finalmente será capaz de me converter na neblina que tantas vezes me abraçou.
Subitamente, minha ausência não fará diferença alguma.
Os dias e noites continuarão se sucedendo, na alternância simplória. A faixa de pedestres permanecerá no asfalto frio da madrugada, recebendo passos incertos- se não os meus, os alheios. Os amantes ainda trocarão juras, os poetas ainda se entregarão aos versos, os músicos ainda enfeitarão as esquinas com melodias.
O tempo não deixará de impor sua marca impiedosa nos rostos que já foram atraentes. As fotografias retocadas estarão no outdoor, ao lado de promoções para melhorar sua vida (sim, aquelas que nunca fazem diferença para quem não teve os neurônios afetados pela mídia).
Quando eu finalmente partir, os produtos continuarão nas prateleiras dos supermercados; quem sabe os preços oscilem. As crianças ainda sonharão com nuvens de algodão enquanto os adultos se preocupam com as contas atrasadas. Os adolescentes, ah! Acharão que tudo é o fim do mundo até encontrarem um motivo para sorrir no dia seguinte. Talvez eles ainda preferirão agir- e o pior, acreditar que o são- como donos da razão.
Mas até a verdade é passageira.
Um dia eu sumirei daqui, acredite.
Eu só rezo para que minhas palavras não me acompanhem. Seria reconfortante se pelo menos elas se fincassem nas ruas cinzentas que me assustam. Seria bonito se a minha instabilidade por fim rendesse solidez.

Ao som de "The Cure- Bloodflowers"

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

"Date a girl who reads" por Rosemary Urquico

Gente, o texto abaixo não é de minha autoria, encontrei em:
http://quinasecantos.wordpress.com/2011/04/28/prato-do-dia-namore-uma-garota-que-le-rosemary-urquico/
Como me identifiquei e é muito fofo, postei no blog. A versão original mesmo está em inglês...
(A partir da semana que vem divulgo meus textos que ainda não foram colocados aqui por pura preguiça  falta de tempo). 



"Namore uma garota que lê


Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.
Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.
É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas  garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim.  E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.
Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até  porque, durante algum tempo, são mesmo.
Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.
Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que  pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe  monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.
Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.
Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico
Tradução e adaptação – Gabriela Ventura"

Existe a versão masculina também em: http://acepipesescritos.blogspot.com/2011/07/namore-um-cara-que-le.html

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Feliz 2012, padawans!

Gente, se aproxima o Ano Novo, bem como a cafonice inerente às festividades! É claro que, na minha ducentésima postagem neste blog, não poderia deixar de incorporar os clichês e me manifestar.


Vocês devem estar pensando: "Mas toda essa ladainha de final de ano é altamente dispensável", contudo eu aprendi durante o meu tempo no hospital que a vida é sim uma beleza e merece ser comemorada, ainda que com os mesmos conselhos usuais. Então apertem os cintos de segurança e aqui vamos nós! Conselhos de divã para 2012, padawans!

Nota introdutória: não precisam ler como se o Pedro Bial estivesse narrando. Eu prefiro a voz do Morgan Freeman.

Lição número 1: Não reclame.

Já ouvi um pessoal reclamando de que não há motivos para comemorar o Ano Novo pois estamos apenas mais próximos da nossa morte, ou estamos simulando alegria com parentes que raramente vemos ou apenas cumprindo um ritual de socialização forjada. Se você faz parte deste grupo, deixe-me explicar uma coisa. O que realmente inspira a celebração, na minha opinião, é a sensação de que com um novo ano, nossas vidas mudarão. É uma chance de recomeçar. E agora eu digo: qual é o problema? Já existe tanta tragédia lá fora e vocês querem reclamar de uma chance de renovar as esperanças? Mesmo que venha a ser ilusão, é uma ficção necessária (como uma criança que acredita em Papai Noel). Nós não somos capazes de controlar os acontecimentos externos, porém estamos aptos e até precisamos de uma injeção de motivação para alterarmos o que nos incomoda em nós mesmos. Se você tem uma época do ano reservada para se inspirar, aproveite ao invés de procurar tristeza em cada canto. Eu já o fiz e me arrependo muito.

Lição número 2:  Não julgue.


Não é porque você vive de um jeito ou acredita em algo que todos devem concordar. As pessoas são diferentes e é justamente este fato que torna a humanidade interessante, independente da raça, religião, opção sexual, preferência política. Seria um tédio se todos os meus amigos concordassem com cada atitude que pratico ou opinião que manifesto. São amigos por aceitarem minhas diferenças e respeitarem meu modo de encarar a existência; e a recíproca é verdadeira. Não tire conclusões precipitadas tampouco determine a personalidade de alguém sem conhecê-lo direito ou apenas com base na aparência. Às vezes as pessoas mais magoadas andam com um sorriso no rosto e as mais enganosas escondem a maldade mascarada de afeto. Se alguém o incomoda, apenas se afaste. Não aja como se fosse o dono da razão e estivesse num pedestal.

Lição número 3: Siga seu sonho e que se dane o que os outros pensam.


Sempre existe um fulaninho que sente a necessidade de te desmotivar. Cansei de ler comentários anônimos sem nenhuma crítica construtiva por aqui, redigidos por quem se sente tão mal que gasta tempo infernizando os outros. Mas, no final das contas, eu deixaria de escrever ou me sentiria péssima por causa disto? Não. O sonho é meu, a escrita me faz bem, e nada do que disserem me fará desistir. Deixe que riam, que satirizem, que ofendam. Se estão tentando te derrubar, é porque você já está um nível acima. O importante é que um dia você possa olhar em retrospectiva e não se arrependa de haver desperdiçado seu talento ou enterrado oportunidades por medo da reação de outrem ou pelo desejo de ser aceito. Cá entre nós, a mediocridade de ser normal é um fardo lamentável. Então se arrisque e não se arrependa. Corra atrás dos seus objetivos e não permita que ninguém diga que você não é capaz ou bom o suficiente.

Lição número 4: Mantenha os bons, poucos e confiáveis amigos.


Não se enganem. Colegas estão espalhados pelas ruas e esquinas, porém os amigos de verdade são raros. São aqueles com os quais você pode contar incondicionalmente, que estão presentes tanto nos momentos de sofrimento quanto nos de felicidade. São aqueles que podem até não ser vistos com tanta frequência devido à distância ou ao tempo, mas na época do reencontro é perceptível que o vínculo não se desfez. Em 2011 eu aprendi o quanto são importantes e que não os troco por popularidade ou nada neste mundo. Do que adianta conhecer 700 pessoas se não se pode confiar em nenhuma delas? Acreditem, na hora do sufoco os interesseiros somem e os sinceros se mostram. Como disse uma amiga minha ontem "há pessoas que não perdemos; nos livramos".

Lição número 5: Não seja leviano com a dor alheia.


Todo mundo passa por maus bocados. Talvez você não saiba a coisa certa a se falar, ou como melhorar a situação, no entanto, nunca abandone alguém em sofrimento. Mesmo que apenas possa oferecer um silêncio reconfortante ou um conselho batido, faça-o. Eu costumava crer que sinônimo de força era não precisar de auxílio e se manter firme, porém estava errada. É natural recorrer a um ombro amigo e desabafar. Se não fosse pela ajuda enorme que recebi, pelo carinho com o qual fui tratada neste semestre, tenho certeza que não estaria aqui escrevendo.

Lição número 6: Ame-se.


Ei, não quis dizer "seja vaidoso", ok? O que aconselho é que você se respeite e não corra atrás de noções ilusórias como "preciso ter o corpo perfeito" ou "ainda não sou o suficiente". Em primeiro lugar, o que interessa é ter saúde (sim, eu aprendi!). Quilos de maquiagem ou horas na academia não vão deixá-lo mais bonito do que um sorriso no rosto e confiança no âmago. Na maioria das ocasiões, a obsessão com a aparência é questão de insegurança. Não que você deva ser um desleixado- nada de radicalismos!- apenas enxergue sua beleza interior. E não se puna porque algo deu errado (eu tinha esta mania). Tudo tem uma hora certa para acontecer e o essencial é que você tenha feito o seu melhor.


Lição número 7: Ria, cante, dance, ame, se divirta!


Poxa, perdemos tanta energia nos preocupando em excesso com banalidades e enquanto isto a vida passa feito brisa, até que não possamos mais alcançá-la. Aproveite toda a bondade, toda a diversão lá fora. A felicidade não é uma destinação, paradinha lá no futuro. É um jeito de encarar as fases ruins e boas com otimismo e não se abater. Grite o mais alto que puder. Pule. Faça trocadilhos sem graça. Brinque feito criança. Experimente doces novos. Ligue o som e faça coreografias estranhas- meu forte! hahaha Você pode ser um rockstar na sua sala, durante cinco minutos. Faz bem pra alma!


Lição número 8: Chore infantilmente quando preciso for.


Não, você não tem a obrigação de ser alegre o tempo inteiro. Extravase a amargura sem vergonha dos seus sentimentos. Como diria o REM, "Everybody hurts". Encare a tristeza, deixe que ela tome conte e depois a abandone. Não a retenha, será destrutivo; tampouco a evite: será frustrante. É muito mais prático abrir o berreiro por um dia e se livrar da sensação ruim do que se calar, deixar acumular e depois se ver submerso numa imensidão de mágoas muito mais difíceis de curar. Por sinal, o que hoje parece uma catástrofe amanhã é uma memória ou uma janela que se abriu. Dispa-se da negatividade, ela apenas servirá de atraso.



Lição número 9: Aprenda a enxergar a beleza nos locais inesperados.



Num poema, num filme, numa lágrima repentina, no riso de um bebê. O que não falta é razão para se admirar o mundo ao nosso redor. Os dias cinzentos e chuvosos também são lindos; basta que queiramos notar sua magnificência. Até as dificuldades têm sua beleza- não é masoquismo, juro- porque nos fazem amadurecer. Sabe aquela velha história de que cada um carrega a cruz que consegue suportar? É mais acertada do que parece...

Lição número 10: Leia.

Não a ponto de perder o contato com o mundo, mas para viajar em novos reinos, vivenciar aventuras, se emocionar sem sair de casa. É tão bom! Em cada página há um pedacinho de nós, do autor, da imaginação que ganhou contornos próprios. Pratique feitiços com o Harry Potter, corra com o Dodger, se apaixone pelo Mr. Darcy (se você está lendo isto é um homem heterossexual, ignore este exemplo), batalhe com o Rei Arthur, visite Nárnia, enlouqueça com Hamlet, pegue uma carona intergalática com Marvin e o Zaphod, vá ate Mordor com o Frodo e o Sam. Experimente enredos intocados, trate com carinho dos que já causaram uma marca indelével em você.

Aragorn concorda
Lição número 11: Faça algo que te dá medo.


Nada estúpido, que vá destruir seu organismo, obviamente. Apenas se esforce para encarar os desafios que te intimidam. Antigamente eu não conseguia nem dançar em festas e hoje costumo parecer uma esquizofrênica que levou uma descarga elétrica na pista de dança (na realidade a minha dança do robô é muito sofisticada e os meros mortais não conseguem acompanhar). A sensação de se livrar de um complexo é uma das melhores que existe.

Lição número 12: (A última, pois eu não estou em condições de elaborar 2012 conselhos) Agradeça.


Todo mundo se apressa para pedir bênçãos, entretanto raramente se preocupa em agradecer. Seja grato pelo carinho que sua família ou amigos te deram, por ter casa, comida e roupa lavada, pela saúde, pelas oportunidades que você tantas vezes menosprezou, pelo maravilhoso fato de que você está vivo. Pare e pense em quanta sorte você tem e em como você não precisa se queixar. Mas não pare por aí: agradeça, principalmente, retribuindo e auxiliando os que não se encontram nas mesmas condições. É uma palavra de motivação para o abatido, um cobertor e um prato de comida para o morador de rua do seu bairro, uma roupa que você não usa mais para quem precisa. Melhorar o mundo começa em nossa vizinhança!

Ufa, é basicamente isto, meus caros! Estão mais do que prontos para serem Jedis.


Só preciso deixar registrada mais uma coisinha...

FELIZ 2012!!!!!!!!!!!!!!!!! FESTA, FESTA, FESTA!






Disfarce



Você simula tão bem.
Treinada pela própria artimanha
Fazendo cinza dos elogios 
Trocando peles, discursos, 
amores, desafetos, inconstâncias
Desperdiçando submissão alheia
nas perigosas encruzilhadas  
de seus jogos emocionais

E você, que me jura devoção
Sabendo da fraqueza volátil
dos meus desígnios impulsivos?
Simula igualmente bem. 
Fingindo um futuro impossível
feito injeção de morfina 
no espírito incomodado
Carrega em si a leal mentira

Não é culpa minha, querida 
sua obstinação desvairada
em prosseguir o masoquismo
para compor alguns pares de versos
Não é obra minha o cinismo
de quem prefere morrer lentamente
E se orgulhar de uma arte tão fria
quanto sua perfídia natural

Tampouco é culpa minha, caro
sua teimosia ensandecida
em converter meus trejeitos
para que se adequem a sua verdade
Não é feitio meu a ilusão
de quem opta por crer erroneamente
E engole os devaneios tão soberbos
quanto seu protecionismo habitual


Livre-se das questões contundentes
Das confusões existenciais egoístas 
Nego-me a seguir seu pêndulo  


Mantenha os pés enterrados no solo
A insatisfação fincada na epiglote
Recuso-me a virar seu ideal 

Prefere que meu esforço 
no esquecimento caia?
Ninguém mais aguentará 
sua liberdade tola 

Prefiro que sua atenção
na estrofe se assente 
Ninguém mais suprimirá
minha habilidade cruel



"I'm what's left, I'm what's right
I'm the enemy
I'm the hand that will take you down
Bring you to your knees"

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